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A evolução de um time menor e o que a vitória da KaBuM! E-sports significa para o Brasil

Até sua aparição no Campeonato Mundial da Quarta Temporada, a KaBuM! e-Sports era a quarta melhor equipe do Brasil. Eles perderam respeitosamente na etapa de pontos corridos do Campeonato Brasileiro de League of Legends da Riot, além de uma surpreendente vitória por 2 a 0 contra a Pain Gaming na segunda semana, a KaBuM! derrotou os times que esperava-se que derrotassem, e perdeu para os melhores times da Pain, Keyd Stars e CNB e-Sports Club. Nos playoffs da Champions League, a KaBuM! novamente atuou conforme as expectativas. Eles perderam dois jogos para a Keyd Stars nas semifinais, e perderam de 2×1 da CNB, conquistando um sólido quarto lugar, tanto na temporada regular quanto no geral.

Logo após a Final da Champions League em 8 de Junho de 2014, mas antes de sua atuação nas Finais do Regional Brasileiro de 2014, KaBuM! pegou o antigo suporte da Pain Gaming, Gustavo “Minerva” Alves. Inicialmente, ele foi suporte para o atirador da época, Daniel “dans” Dias; poré dans e o resto do time rapidamente notaram que a mecânica do Minerva sempre se encaixou melhor na posição de atirador.

“Todos sabiam que esse garoto sabe absurdamente das mecânicas então foi isso… Apenas coloque esse garoto para causar dano e é GG.” dans disse sobre seu novo parceiro de rota na qualificatória regional.

KaBuM! e-SportsCom sua nova rota bot organizada, a KaBuM! entrou na qualificatória regional como pouco favorita. Em sua primeira partida contra o Latin American PEX, a KaBuM! ficou para trás em ouro e abates somente para se destacar e escalar acima de seus oponentes. Eles venceram em 54:48, demonstrando superioridade ao focar objetivos e lutas de equipe. Desse ponto em diante, a KaBuM! ajustou-se à PEX, se mostrando melhor em suas duas partidas subsequentes e derrotando o time latino americano de 3×0 em sua melhor de 5. Na partida final entre os dois, a KaBuM! não permitiu que a PEX tomasse qualquer objetivo, bem distante de sua performance desleixada na primeira partida. O veterano da rota top, Pedro “LEP” Marcari, atribuiu o começo morno de seu time ao nervosismo, dizendo que eles jogaram um pouco seguros demais no começo.

Situados em um grupo com o NaJin White Shield da Coreia, Alliance da Europa e o segundo seed dos Estados Unidos, Cloud 9, a KaBuM! não teve chance de ir além da fase de grupos do Mundial de 2014. Seus oponentes tinham muito mais experiência e desclassificaram o time Brasileiro de longe, particularmente em macro estratégia e trabalho de equipe em geral.

Adicionalmente, a exigência do período construtivo no qual a KaBuM! avaliou o melhor modo de neutralizar seus oponentes não os levou aos melhores modos. Tanto na qualificatória regional quanto na final do Wildcard, a maior oportunidade da KaBuM! foram seus inícios lentos. Inversamente, sua maior força foi sua habilidade para fazer ajustes não somente de partida a partida, mas dentro do panorama de um único jogo. Isso não é dito para explicar que a KaBuM! teria vencido uma melhor de cinco contra qualquer um desses times. Porém, teria sido mais fácil para traçar uma linha a partir de sua performance inicial até o resultado final, relembrando o que eles aprenderam durante o campeonato. Em um formato de fase de grupos, se a KaBuM! fosse vencer um jogo, seria logicamente na fase de grupos, depois que o time tivesse mais tempo para estudar seus oponentes.

De todas as maneiras, a KaBuM! mostrou-se pronta para aprender ao mundo. Seus jogadores continuamente reiteraram em entrevistas que eles queriam absorver quanta experiência pudessem para trazer à cena brasileira. Somando isso à sua tendência de fazer ajustes rápidos no jogo, a KaBum! entrou no campeonato mundial com o potencial de ser a zebra do Grupo D.

A primeira chance da equipe brasileira no cenário mundial foi contra a NaJin White Shield. O favorito do grupo D veio recentemente de uma impressionante campanha nas qualificatórias coreanas e rapidamente mostrou a capacidade de sua região ao aniquilar a KaBuM!, quase neutralizando-os. A aclamada rota inferior de Minerva e dans parecia desorientada e foi derrotada no 2 x 2 contra Lee “Zefa” Jae-min e Kang “Gorilla” Beom-hyeon da NaJin.

Em sua primeira partida contra a Alliance, o time europeu dominou cada momento enquanto a KaBuM! parecia hesitante e nervosa. O controle de visão foi um problema peculiar para a KaBuM!. A Alliance colocou um total de 102 sentinelas no jogo, enquanto destruiu 36 das sentinelas da KaBuM!. A KaBuM! colocou apenas 73 e destruiu 29 sentinelas colocadas pela Alliance. No total, a Alliance deu um jeito de obliterar quase metade, totalizando 49.3% das sentinelas colocadas pela KaBuM!, enquanto os brasileiros conseguiram retirar meros 28.4% da visão da Alliance. O único ponto chamativo da visão da KaBuM! foi Thiago “TinOwns” Sartori, que colocou o segundo maior número de sentinelas do seu time, 19 no total.

Além disso, na seleção de campeões, a KaBuM! deixou livre Irelia, a campeã favorita do jogador da rota superior da Alliance, Mike “Wickd” Petersen, e deixou confortável o caçador da selva Ilyas “Shook” Hartsema com seu Lee Sin. Wickd derrotou facilmente seu oponente LEP, com um resultado de 1/0/9 e neutralizou o Rumble de LEP em 0/8/0. O caçador da KaBuM!, Daniel “Danagorn” Drummond parecia perdido na selva, enquanto seu oponente da Alliance terminou com impressionantes 5/2/5, graças, em grande parte, por ter acampado na rota superior para atropelar junto com a vantagem de Wickd e neutralizar o Rumble no começo.

A atropelada foi o primeiro encontro de LEP com a Irelia de Wickd dentro do jogo; porém, o brasileiro da rota topo seguiu Petersen por algum tempo.

“Comecei a jogar com a Irelia por causa do Wickd”, LEP disse, falando bem de seu oponente, “não só pelo jeito como ele joga, mas, como pessoa, ele parece ser um ótimo sujeito.”

Inspirado pelo Wickd, LEP selecionou a Artesã das Lâminas. Ele mudou seu nome no jogo para “Irelia” quando esteve na equipe Insight eSports e é popularmente conhecido como a melhor Irelia do Brasil.

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Apesar da habilidade de Wickd, a Irelia não foi banida contra ele uma vez na fase de grupos, apesar da segunda partida da Alliance contra a KaBuM!. Na primeira partida da Alliance na fase de grupos, Wickd jogou de Kayle invés de Irelia, presumidamente para proteger seu atirador, Eric “Tabzz” van Helvert, de Kog’Maw. Em todas as outras partidas da fase de grupos da Alliance até seu último jogo contra a KaBuM!, Wickd foi capaz de escolher seu campeão da rota superior favorito. Isso lhe deu o segundo KDA mais alto de todos os jogadores da rota superior da fase de grupos, seguido somente por Jang “Looper” Hyeong-seok, da Samsung Galaxy White.

O banimento da Irelia aconteceu finalmente para a KaBuM! em sua segunda partida contra a Alliance, junto com um banimento estratégico do Lee Sin contra Shook, e o banimento padrão do Maokai. Isso foi acompanhado pela seleção de Ryze da KaBuM!, uma escolha flexível para rota superior e meio para impedir Henrik “Froggen” Hansen de escolher Yasuo. Froggen foi com Fizz, dando a seu time um potencial de duas vertentes de seu Fizz e do Twitch de Tabzz. Confiando na Kayle de Wickd para garantir intervenções esporádicas, a Alliance focou em separar os membros da KaBuM!, lutando com eles em pequenos embates de dois ou três invés de uma batalha campal com cinco.

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Em resposta, a KaBuM! fez uma composição de escolhas que contava com controle de multidão para todos os membros. Com LEP de Ryze (Prisão de Runas), Danagorn de Elise (Casulo), TinOwns de Ahri (Encantar) Minerva de Jinx (Mordidinhas Flamejantes) e dans de Morgana (Ligação das Trevas, Grilhões da Alma) e assim a KaBuM! garantiu que, uma vez que um oponente fosse atingido por algo que atrapalhasse seu movimento de qualquer jeito, suas chances de fuga diminuiriam exponencialmente.

No nível 1,a KaBuM! promoveu um combate longo pela visão entre os dois times para, com sucesso, manter os padrões de rotas 1×1 e 2×2, focando em punir Twitch/Thresh no começo com Jinx/Morgana enquanto contavam com LEP para aturar o Wickd. Oposto à sua hesitação em sua partida anterior, Danagorn gankou rápido para o LEP na rota inferior, ganhando o First Blood na Kayle de Wickd graças à falta de sentinelas da Alliance.

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A visão contou bastante na bola de neve da KaBuM! no começo, carregando o time brasileiro para uma investida no meio do jogo. Aos 13 minutos, a KaBuM! possuía cerca de 4k de ouro de vantagem, junto com abates, duas torres e um dragão.

Apesar da Alliance ter eliminado cerca de metade da visão da KaBuM! em sua primeira partida, essa porcentagem caiu para 30.6% em seu segundo jogo. Enquanto a KaBuM! melhorou seu controle de visão 14.1%, retirando cerca de 42.5% da visão da Alliance na segunda partida. Notavelmente, a Alliance só derrubou duas sentinelas a menos da KaBuM! em seu jogo seguinte; porém a KaBuM! colocou mais 38 sentinelas no total. A Alliance colocou oito sentinelas a menos em sua derrota, mas a KaBuM! destruiu onze a mais no rumo de sua vitória.

“Tentamos fazer o que aprendemos aqui como um time experiente”, TinOwns, o mid da KaBuM!, disse logo após a vitória: “melhorar nosso controle de mapa, colocar sentinelas melhor, fazer nossas rotações de mapa adiantado em relação a eles. Foi o que aprendemos até agora, foi o que mostramos hoje e deu certo.”

O controle de visão superior deles serviu de alicerce para o meio do jogo da KaBuM!, que antes era pouco estável. Ajudado por iniciações fracas do Fizz de Froggen, a KaBuM! tinha 5.6k de ouro de vantagem aos 20 minutos, junto com 5×0 em torres e 2×0 em dragões.

“Nossa visão do mapa durante o jogo todo, não só durante a fase de rotas, é algo que aprendi bastante por aqui”, disse TinOwns. “Todos aprenderam bastante sobre como ver o jogo e trabalhar em conjunto como uma equipe em todas as situações.”

A KaBuM! bateu na porta da frente da base da Alliance aos 24 minutos, levando o primeiro inibdor depois de um combate bem sucedido. Apesar do ocasional posicionamento ruim de Minerva, a luta da KaBuM! permitiu que a mecânica de jogo de alguns jogadores se destacasse. TinOwns mostrou-se particularmente impressionante com sua Ahri, acabando 8/2/8 acertando seu Encantar em momentos chave para iniciar a corrente de controle de multidão que era o propósito da composição da KaBuM!. Depois de 38 minutos e 46 segundos, a KaBuM! derrotou os campeões europeus da Alliance.

“Sabíamos antes de vir aqui que não tínhamos muitas chances de passar da fase de grupos”, disse TinOwns. “Assim que vimos [a vitória], foi incrível ver como obtivemos muita experiência, tomamos um passo por vez e derrotamos um dos melhores times do mundo, o melhor da Europa, e isso foi incrível.”

A força da KaBuM! para estudar e se ajustar a seus oponentes, somada às gafes de comunicação da Alliance, prepararam o solo para esse resultado impressionante. Porém, o resultado final continua sendo o melhor de uma vitória que exibe as forças momentâneas de uma equipe brasileira, e as fraquezas de um time europeu. Enquanto a Alliance volta para tratar suas feridas e se preparar para a pré-temporada da LCS europeia, a KaBuM! saiu do cenário mundial com uma história agradável para muitos, porém apenas transitória.

Ao mesmo tempo em que a KaBuM! chocou o mundo momentaneamente, a Gaming League brasileira de 2014 estava acontecendo, incluindo os dois times considerados os melhores do país: paiN Gaming e uma Keyd Stars repaginada. O torneio adicionalmente atuou como um lançamento para a equipe irmã da KaBuM! e-Sports, a KaBuM! e-Sports Black, com o suporte anterior da KaBuM! Martin “Espeon” Gonçalves. A cena brasileira rumou a um período de rápido crescimento que poderia fazer deles oponentes potencialmente perigosos para muitos times internacionais, não apenas como uma zebra em um campeonato, mas como um grupo talentoso por mérito próprio.

“Dois anos atrás, o Brasil não era profissional assim. Porém, cresceu bastante depois que a Riot fez esses eventos grandes no Brasil”, disse LEP durante a fase de grupos do mundial. “A final do campeonato brasileiro foi incrível, tínhamos nove mil pessoas dentro de um local alugado, o que foi ótimo. As equipes começaram a pagar salários, nossos patrocinadores investem de verdade em nós, então estamos no caminho certo e acredito que em poucos anos seremos um desafio para outras regiões.”

por Emily Rand via ggChronicle

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