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Ascensão do Mundial: O Futuro Chega à Terceira Temporada

Entre o Mundial da Segunda Temporada e da Terceira Temporada, League of Legends passou por uma completa transformação. O sistema da LCS se reestruturou a maneira com que as equipes na América do Norte e Europa se organizavam e competiam, dando a chance de elas se tornarem organizações de esporte profissional tanto na prática como na teoria.

Mas claro, a batalha continuava entre eles e os times coreanos. Enquanto Azubu Frost e NaJin Sword não foram felizes em sua busca para trazer a Copa do Invocador para a Coreia, estava escrito na parede que algumas das organizações de jogos competitivos mais poderosas e experientes do mundo voltariam suas atenções para o League of Legends.

Estourando a Bolha do NA

Mesmo com o cenário mudando, a Team SoloMid e o resto do cenário Norte-Americano demoraram para se adaptar. E no Mundial da Terceira Temporada, eles pagariam um preço alto por essa complacência.

“Nós não estávamos sendo desafiados de verdade na América do Norte. Nunca chegamos a perder de verdade, e acho que isso fortaleceu nossa confiança, de maneira que nunca nos demos conta que deveríamos melhorar”, diz o veterano Steven “Chauster” Chau. “Era difícil nos comparar a outras equipes pelo fato de que não jogávamos contra eles. Então eles eventualmente nos alcançaram e depois passaram com facilidade, simplesmente porque jogavam muito mais e estudavam bastante também”.

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A TSM estava com uma equipe de nível internacional mediano havia mais de um ano, mas dentro da América do Norte eles ainda reinavam. A LCS, de começo, reforçou sua confiança e talvez encorajou alguns hábitos ruins.

“Honestamente, a maior razão de termos ficado para trás foi porque nós não estávamos levando tão a sério. Éramos muito 1a turma da zoeira’”, admite Alex “Xpecial” Chu. “Não jogávamos tanto quanto deveríamos e também não estudávamos com frequência… As pessoas não sabiam o quanto um técnico era importante, o quanto é benéfico ter alguém por trás te empurrando e motivando, e também colocando pressão por resultados”.

Essa pressão sobre a TSM certamente aumentou com a chegada da Cloud 9 no cenário Norte-Americano. Mas, de início, eles não acharam que precisavam se preocupar.

“Já havíamos enfrentado a C9 quando o nome deles era Quantic, e sempre ganhávamos”, aponta Xpecial. “Sempre foram bons oponentes, mas passávamos por cima deles nos campeonatos. Eles nunca haviam atuado bem em torneios. Nunca achávamos que eles pudessem atingir o nível que atingiram”.

A Cloud 9 parecia ser o representante do NA mais forte em um Mundial desde os dias de Epik Gamer e TSM na Primeira Temporada. Eles entraram no campeonato com a esperança de uma região inteira em suas costas, e essas grandes expectativas foram construídas através de um recorde impressionante de vitórias na LCS. Mas a sorte não estaria ao lado deles, e o passe-livre pela Fase de Grupos os colocou diretamente nas Quartas-de-Final contra uma sedenta Fnatic.

Um Mundo para Dominar

A Terceira Temporada estava praticamente destinada a ser o ano das equipes coreanas. A NaJin Black Sword conseguiu passe-livre para as Quartas-de-Final, e a SK Telecom T1 K e Samsung Ozone estavam em condições de dominar a Fase de Grupos e deixar o resto do mundo no escuro.

No caso da SKT T1K, eles seguiram o roteiro com perfeição. O que o mundo viu na primeira parte do Mundial foi um jogo de equipe que estava anos-luz do resto das equipes da competição. Eles também foram testemunhas do crescimento de uma das poucas estrelas talentosas o suficiente para dominar um jogo por conta própria em um cenário em que a sinergia entre a equipe era cada vez mais importante.

A Terceira Temporada foi um bom tempo para ser um Meio, e ninguém fazia isso tão bem quanto Faker. Suas jogadas inspiraram memes como “Coisas que Só o Faker Faz” (Thinks Faker Does), e ele dominou seus jogos na Fase de Grupos.

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Mas ele também era complementado por uma das melhores equipes do torneio. Quando falamos em dupla Atirador-Suporte, poucos eram tão bons quanto Piglet e PoohManDu, e mais de uma vez o alto nível de jogo deles ajudou Faker a superar as estratégias dos adversários que o alvejavam. A grande parceria de Faker com Bengi também pode ter sido um dos casamentos mais felizes de Caçador com Meio na história de League profissional.

“[Na Terceira Temporada] ainda era possível carregar uma partida por conta própria, mas era muito difícil”, diz Paul “sOAZ” Boyer. Faker era um dos poucos que conseguia fazer isso, e todos ao seu redor também eram bons o suficiente para vencer um confronto individual. “Acho que eles eram melhores tanto como equipe quanto individualmente”.

A própria Fnatic parecia uma zebra dentro do seu grupo. Eles foram desafiados ao extremo na temporada de verão, e estavam lutando por vagas nas quartas-de-final com Gambit Gaming (anteriormente conhecida como Moscow 5) e Samsung Ozone. Mas o que parecia uma LCS difícil na verdade os ajudou a tornarem-se mais fortes.

“No começo, YellOwStaR havia acabado de mudar de Atirador para Suporte, e tínhamos um novo Atirador: Puszu”, explica sOAZ. “Então precisávamos de tempo para melhorar, e todo o tempo da LCS serviu para praticarmos e refinarmos nosso estilo de jogo. Ao final da temporada, estava muito confiante em minha equipe”.

A Fnatic tinha um plano simples que os serviu muito bem no decorrer do campeonato, e terminou por carregá-los até as semifinais.

“A chave na Terceira Temporada era… conseguir uma liderança no começo da partida e criar um efeito bola de neve o máximo que conseguíssemos”, diz sOAZ.

No entanto, a Samsung Ozone acabou surpreendendo a todos… sendo relativamente não tão boa. De uma equipe que se esperava muito antes do Mundial, eles tiveram um desempenho péssimo e acabaram sendo eliminados na Fase de Grupos após uma série de desempate contra a Gambit.

Até a própria Gambit ficou surpresa.

“Não achava que conseguiríamos ir bem no Mundial, mas também não ligávamos muito para a reputação das equipes coreanas. Certamente fomos melhores do que eu esperava”, admite Alexey “Alex Ich” Ichetovkin. “Mas a Ozone teve diversos problemas indo para o Mundial, como trocar seu Topo, e Dade jogando extremamente abaixo do seu nível”.

Enquanto a Gambit foi eliminada pela NaJin Sword nas quartas-de-final, a Fnatic bateu a Cloud 9 e passou para a próxima fase para combater a Royal Club em uma das séries mais complexas do campeonato. A princípio, a Fnatic parecia estar jogando seu estilo clássico, explosivo. Mas com o decorrer do tempo, a Royal Club começou o massacre, virando as partidas no meio do jogo e esmagando a Fnatic.

“A Royal Club sempre selecionava uma equipe para o late game, com um Meio e um Atirador mais fortes para o final da partida, como Vayne e Orianna. Eles estagnavam a partida por um tempo e depois começavam a ganhar as lutas”, diz sOAZ.

E por mais que a Fnatic parecesse mandar bem quando estava na frente, ela não estava em um nível suficiente para vencer o começo da partida.

“Sempre conseguíamos uma pequena vantagem, mas nunca o suficiente para criar aquele efeito bola de neve”, ele lembra. “E a composição da Royal de limpar as tropas com facilidade era muito eficiente”. Isso porque ela congelava a partida por tempo suficiente para que os carregadores conseguissem tomar o controle do jogo.

Apesar de ter batido a rival OMG e a Fnatic, a Royal Club não conseguiria vencer o campeonato. Isso porque o ano estava destinado a ser da SK Telecom T1 K. Quando os fãs se juntaram no Staples Center no dia 4 de outubro, foram testemunhas de uma demonstração de jogo de equipe e desempenho de alto nível que é comum àquela grande arena. Ou seja, quando Kobe Bryant, Shaquille O’Neall e o resto dos Los Angeles Lakers (equipe de basquete profissional) estavam em quadra.

Em uma série vencida por 3-0, a SKT T1 K varreu a Royal Club e confirmou o que grande parte do público já sabia: a SKT era a melhor equipe do mundo, muito, muito na frente de qualquer outra.

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A Queda

Assim como League of Legends muda de um ano para o outro, o cenário competitivo também muda. Apesar de a Terceira Temporada indicar o nascimento de uma nova era para a SK Telecom, na realidade eles só teriam poucos meses de reinado até começarem a enfrentar grandes rivalidades na Coreia, e instabilidades em seu time campeão.

Ironicamente, o vilão do Mundial de 2013, Dade, é quem surgiria como grande herói do circuito coreano de 2014. A estrela que havia perdido o brilho no Mundial da Terceira Temporada e sido colocado no “segundo time” da organização começou uma jornada para se redimir do ano anterior. Se ele ajudou na tragédia da Samsung Galaxy Ozone em 2013, não há como negar a sua imensa participação no sucesso da Samsung Blue em chegar ao Campeonato Mundial de 2014.

Para o cenário Norte-Americano, o Mundial da Terceira Temporada demonstrou o quanto a região estava longe das maiores equipes de League competitivo. Para a Cloud 9, no entanto, foi somente uma experiência de aprendizado em sua jornada milagrosa.

“Perder no ano passado foi chato. Mas não era tão problemático assim”, explica Hai “Hai” Lam. “Você sempre vai perder, não importa o quanto queira ganhar. Não é sempre que se vence”.

Para a TSM, no entanto, a Terceira Temporada desencadeou uma crise.

“Sabíamos que a SKT e algumas outras equipes eram muito boas, mas ao mesmo tempo estávamos otimistas. E ficamos muito bravos por não ter passado da Fase de Grupos”, admite Xpecial. “Nós jogávamos bem como time, e como time precisávamos consertar pequenas coisas que eu sinto que não deveriam ter sido tão difíceis de resolver. E não conseguimos fazer… E achei que havíamos batalhado por um ano para melhorar como equipe e não tínhamos chegado a lugar algum”.

A Terceira Temporada foi um tempo que marcou a aposentadoria e contratação de diversos jogadores através da região norte-americana. Marca praticamente uma troca de geração no competitivo do League of Legends.

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“Para mim, jogadores se aposentarem não é negativo. É somente algo natural. Todo mundo eventualmente se aposenta”, diz Xpecial. “Não queria que o Reginald tivesse se aposentado, porque ele era um líder muito bom e eu o considerava importante… Mas é isso… É algo natural”.

O Mundial da Terceira Temporada também marcava a última vez que a Gambit iria permanecer entre as melhores equipes do mundo. Era praticamente um adiamento da decisão, mas Alex Ich admite que o tempo corria para eles.

“Eu estava satisfeito com nossa posição no Mundial e nossa classificação na Fase de Grupos, e após o Mundial o Edward voltou para a equipe e vencemos a IEM Katowice. Foi divertido”, ele diz. “Mas durante a primavera, sentimos que a equipe não queria mais melhorar e jogar junta, e acho que foi ficando meio chato”.

Mas toda a rotatividade entre a velha guarda, longe de ser algo negativo, realmente abriu as portas para uma nova onda de estrelas para vir e perturbar a antiga ordem. Enquanto a velha TSM pode ter ido embora, o time atual de estrelas internacionais é um dos mais empolgantes no jogo. A LMQ se estabeleceu como uma das principais forças da região NA, enquanto a LCS EU passou por uma mudança completa, com novos jogadores surgindo e novas equipes marcando sua presença.

As Coisas Mudam…

Em três anos, League of Legends mudou e evoluiu tanto que é praticamente irreconhecível de quando começou. O Mundial da Primeira Temporada, com seu baixo custo e uma produção sufocada pela plateia num canto da DreamHack, mostrou o começo de uma comunidade competitiva de elite. Um ano após aquilo, sua Final seria em uma arena de esportes. Um ano depois disso, lotaria um dos maiores palcos de basquete e hóquei para a Final da Terceira Temporada.

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O jogo, em si mesmo, é algo vastamente diferente de quando começou. É, de fato, um jogo de equipe agora, e menos dirigido por poderes individuais.

“Na Primeira Temporada, os Meios poderiam carregar a partida sozinhos. Não havia tantas estratégias… Me lembro que naquele tempo eu poderia vencer uma luta 1×5 somente pelo fato de os jogadores não serem organizados”, explica Carlos “ocelote” Rodriguez.

Esses tempos ficaram para trás, e muitas das estrelas que formaram esse estilo de jogo ou passaram para frente ou tentaram se adaptar à nova era.

“League é um verdadeiro jogo de equipe agora, então não há muito o que aquele jogador estrela possa fazer sozinho, a não ser que esteja muito à frente”, diz sOAZ. “Agora ele deve jogar com sua equipe e analisar o melhor momento de fazer algo”.

No entanto, talvez a maior mudança no cenário competitivo de League of Legends seja na mentalidade das pessoas que jogam. Como exploramos na primeira parte desta série, muitos dos veteranos olham o jogo daquela época com carinho, um tempo que League era “só um jogo” e não uma carreira. Todos eles vieram para o competitivo para aproveitar o quanto podiam, mas incertos sobre um futuro com aquilo.

No final da Terceira Temporada, havia duas ligas profissionais na América do Norte e Europa, e as organizações estavam investindo em mais infraestrutura como treinadores, analistas e até mesmo psicólogos para os jogadores. Os dias de se carregar uma partida sozinho para sua equipe estavam acabados. Agora, a equipe carregava o jogador.

Xpecial esteve lá no começo de tudo, e ainda é um dos melhores Suportes no jogo. Ele assistiu seus antigos parceiros de times e rivais deixarem o jogo, bem como novos talentos aparecerem e tomarem seus lugares. Agora, contemplando o quanto League mudou no decorrer de três Mundiais, ele também reflete sobre como viveu o começo de sua vida adulta, e o que está carregando consigo.

“Faz quase três anos desde que eu tranquei os estudos. Descobri muito sobre mim mesmo e outras pessoas, tive que viver com outros caras. E você realmente entende o quão diferente as coisas se tornaram”, ele diz. “Eu cresci muito. Olho o mundo diferente agora. Faz parte do seu crescimento e de como você vive a vida”.

por LeonButcher via League of Legends

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