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Revolta x Takeshi: rivalidade de amigos

Separados no mapa de Summoner’s Rift, mas unidos por uma amizade que vem da época de “solo queue NA”, Gabriel “Revolta” Henud (caçador da INTZ) e Murilo “takeshi” Alves (meio da Keyd) vão se encontrar novamente em uma decisão do CBLoL. A diferença é que, agora, será cada um de um lado, e o final será feliz para um deles – na última vez, eram companheiros na CNB e perderam a Final Regional de 2014 para a KaBuM. Começa aqui uma rivalidade entre eternos amigos.

Dupla dinâmica

Takeshi e Revolta se conheceram como a maioria dos jogadores profissionais: nas filas ranqueadas, jogando juntos e fazendo piadas com os nomes de Invocador um do outro. O servidor ainda era na América do Norte, mas ambos já se destacavam em campeonatos online. Com o lançamento dos servidores no Brasil e o crescimento do cenário competitivo, eles começaram a ter mais contato. “Sempre jogamos em dupla, e isso fez a gente se conhecer e ficar mais amigos”, diz Revolta.

A primeira experiência profissional juntos veio em fevereiro de 2014, após o campeonato da IEM São Paulo. “Já éramos bem próximos e planejávamos mudanças na CNB”, comenta takeshi. “Como os dois caçadores da época não estavam com a mesma mentalidade do resto dos times, e o Revolta queria sair da Keyd, chamamos ele. É um cara amigo, tranquilo e estava motivado, e encaixou muito bem”.

Capitão Murilão

A entrada de Revolta na CNB marcava uma nova época na equipe, que alterava pela primeira vez a tradicional formação em mais de um ano. O caçador, não tão experiente quanto o resto da equipe, sofreu um pouco no começo com cobranças e atritos, mas o capitão e amigo Takeshi estava lá para apaziguar. “Era o meu amigo mais próximo dentro e fora de jogo”, diz Revolta. “Sempre tivemos liberdade de conversar sobre qualquer coisa, e isso me ajudou muito, pois eu era um jogador muito mais esquentado naquela época, não gostava muito de ouvir“. Então o Capitão Murilão precisava ficar atento a tudo o que cercava o time. “Meu papel principal como capitão não era tanto dentro do jogo, já que o coordenador de jogadas era o Alocs, mas eu sabia analisar todas as relações entre os jogadores, ter a proximidade de chegar e conversar, resolver os problemas fora do jogo e criar um ambiente melhor na equipe”.

“Takeshi era o meu amigo mais próximo dentro e fora de jogo – Revolta”

Regional Brasileira 2014

Mesmo estando entre as quatro principais equipes do cenário na época (CNB, KaBuM, Keyd e paiN), a CNB não demonstrava a mesma força de antes. Problemas dentro do jogo impediam a equipe de melhores performances, e como Takeshi e Revolta pontuaram em entrevista, os jogadores sabiam que algo mudaria independente do resultado do campeonato. Ainda assim, não esperavam o que aconteceu.

“Não esperávamos chegar na final”, diz Takeshi, a respeito da vitória sobre a paiN na semifinal da Regional 2014. “Para quem me viu após o jogo, era claro que eu estava emocionado. Estávamos muito desmotivados, mas nos juntamos para conversar um dia antes e tudo aquilo aconteceu”.

De desmotivados a finalistas, uma montanha-russa de emoções passou pela cabeça dos jogadores, e por isso mesmo o baque da derrota no Maracanãzinho foi imenso. “Foi a gota d’água, não tinha mais força e motivação para tentar algo novamente com a CNB. Ainda mais sendo como foi, uma vitória e depois três derrotas na final, igual ao Brasileiro de 2013 contra a paiN. Fiquei anestesiado”.

“Na hora foi um choque grande, cada um ficou no seu canto sem falar absolutamente nada”, relembra Revolta. “Ninguém sabia o que fazer, ninguém sabia o que falar, e ainda assim a ficha só foi cair muito tempo depois”.

Estrelas e separação

A derrota na final da Regional Brasileira 2014 no Maracanãzinho também selou o fim da linha mais famosa da CNB. Leko foi para a paiN, manajj se aposentou e Alocs permaneceu na equipe por mais um tempo, mas Revolta e Takeshi continuaram juntos, desta vez na Keyd Stars.

Desgastados pelos vice-campeonatos e recomeços, os dois receberam o convite do ex-técnico da CNB, Renan Philip, e aceitaram ir para a Keyd. Takeshi deixou de ser o capitão (Loop detém a braçadeira), e o foco de jogo de Revolta mudou. “Perdemos a nossa sinergia jogando pela Keyd”, diz Takeshi. “O jogo na equipe fazia com que a dupla fosse mais o caçador com o topo, e não com o meio. Mudou a mentalidade, mudou o estilo de jogo, e a gente não se encaixava mais tão bem dentro de jogo”.

“Perdemos nossa sinergia jogando pela Keyd – Takeshi”

Essa mudança pode ter contribuído para as atuações de Revolta. Criticado pela torcida e desmotivado, o caçador foi afastado pela organização, e pouco tempo depois deixou o time. “Recebi a notícia do afastamento da organização, e os jogadores não haviam participado da decisão”, comenta Revolta. “Mesmo após ter resolvido meus problemas pessoais, não tive um posicionamento deles se iria jogar, e pelo desgaste fiquei triste, e acabei optando por sair”.

A saída de Revolta também colocou fim aos 10 meses da dupla, parceira desde o tempo na CNB. “Foi ruim, é sempre triste ver um amigo sair”, Takeshi diz. “Sempre acreditamos nele como um grande jogador. Você vive com a pessoa e vê ela todo dia, e acaba criando um vínculo. É difícil quebrar isso”.

“É sempre triste ver um amigo sair, sempre acreditamos nele como um grande jogador” – Takeshi

Capitão Revoltão

No final de 2014, quando a INTZ anunciou a saída de Djokovic, capitão e coordenador de jogadas da equipe – que vinha crescendo e surpreendendo no cenário –, muitos não entenderam. Parecia que o time girava em torno de Djoko, e que uma reestruturação seria improvável. Foi aí que entrou Revolta.

“No começo dos treinos, eu achava que eles haviam errado na escolha”, comenta Takeshi. “A INTZ não parecia um time muito sólido. Fiquei surpreso com o decorrer das semanas em como eles melhoraram. No final foi uma contratação muito boa da INTZ, e a grande diferença que os levou de um terceiro, quarto lugar para primeiro e finalista do CBLoL”.

As atuações de Revolta surpreenderam. Era um nível muito mais alto do que o caçador havia apresentado tanto na Keyd quanto na CNB. A INTZ passou de uma equipe de segundo escalão para primeiro lugar no campeonato, atropelando quem aparecesse pela frente. Muito do destaque foi para Revolta, que assumiu o papel de coordenador da equipe e ajudou os jogadores menos experientes a lidar com toda a pressão e os obstáculos, transformando os Intrépidos em uma potência.

“Tirei muita inspiração de mim mesmo”, diz Revolta. “Quando me vi na responsabilidade, cobrei de mim mesmo provar que conseguiria fazer. Parei, gastei muito tempo estudando e vendo a melhor forma de lidar com o papel, tomar a postura e liderar. A equipe chegou em um consenso e todos tem voz, caso precise de uma voz final, eu me coloco à disposição”.

“Cobrei muito de mim mesmo melhorar e provar que seria capaz” – Revolta

Para Takeshi, o papel de Revolta hoje na INTZ é muito importante. “Ele está num lugar de muita motivação”, comenta o meio. “Acho que ele conseguiu pegar muito da época da CNB e da Keyd para construir o papel dele na INTZ, que é muito importante tanto dentro como fora de jogo. Ele soube da maneira dele trabalhar junto com a equipe, e isso refletiu no desempenho da equipe inteira”.

Reencontro em Florianópolis

Revolta e Takeshi agora estão novamente nos campos de batalha, um em cada equipe, numa decisão de campeonato oficial valendo vaga internacional (para o International Wildcard Invitational). Na final da Primeira Etapa do CBLoL 2015, em Florianópolis, dia 18/04, só um deles vai ter final feliz. Mas independentemente do resultado, a amizade continuará mais forte que nunca.

“Ninguém gosta de jogar contra quem você gosta”, diz Revolta. “Mas no planejamento do jogo isso não existe, sabemos separar o pessoal do profissional, o amigo do jogador. Ainda assim, tenho certeza de que se eu ganhar, ele ficará feliz por mim, assim como se eu perder, ficarei feliz por ele”.


FINAL CBLOL – 1ª ETAPA

Sábado, 18/04 (MD5)

12:00 – INTZ Team x Keyd Stars

por LeonButcher via League of Legends

Sobre Max Pita

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