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Por dentro do perfil de Faker – parte 2

Durante a crise econômica coreana da década de 1990, o governo investiu pesado em banda larga. E criou o que podemos chamar de Lan Houses (eles chamam de PC Bangs), mas em um formato diferente: menores e mais reclusas. De acordo com analistas da Ongamenet, a recessão ajudou a popularizar a cultura coreana dos eSports, já que o desemprego aumentou e havia muita gente procurando o que fazer, recorrendo aos videogames. Hoje, parece incoerente imaginar pessoas visitando lan houses no mesmo local em que crianças têm smartphones que ainda nem estão à venda por aqui, mas existem razões sociológicas para tal: Em Seul, muitas famílias moram em apartamentos minúsculos e é mais viável que a molecada jogue seus shooters nos tais PC Bangs do que na sala de estar. Faker mora com seus colegas de equipe em um apartamento nos arredores de Seul, e uma área cheia de prédios comerciais parcialmente vazios. Os jogadores dividem quartos. Costumam acordar por volta de meio dia, quando um cozinheiro prepara seus almoços e, em seguida, partem para o centro de treinamento. Durante as próximas oito horas, eles treinam contra outros time, fazendo intervalos para estudar filmagens de jogos. Faker treina sozinho por não menos de 4 horas a mais. Em uma conversa com os gerentes do time, quando citei Faker, obtive a seguinte resposta: “É um jogo de equipe, quando a equipe vai mal, Faker também vai mal. Ele vai tão bem quanto o time de um modo geral. Faker cresceu no Distrito Gangseo, próximo ao centro de treinamento da SKT. Ele e seu irmão mais novo foram criados por seu pai (ele disse não ver sua mãe faz um tempo) e seus avós. Desde cedo ele é um autodidata, o tipo de garoto que resolvia Cubos Mágicos e lia livros estrangeiros para aprender novos idiomas sozinho. Seu pai, um carpinteiro, ficou levemente impressionado com seu garoto precoce. Ele descobriu o LoL quando foi lançado em 2011 na Coreia e não parou de jogar desde então. Em pouco tempo, ele cresceu tanto que o servidor custou a encontrar jogadores com habilidade equivalente. Quando a SKT o procurou, ele mal tinha entrado no colegial. Depois de entrar na equipe, ele largou os estudos. Faker me mostrou a sala onde ele treina e sua estannte de troféus. Havia um frigobar cheio do isotônico favorito da equipe, Pocari Sweat. Aparentemente Faker não tem hobbies além de games e nunca teve uma namorada. As paredes do quarto dele não têm pôsters. Ele gosta de água. Quando comentei com ele que uma vez li que ele tinha algumas plantas e perguntei sobre elas, ele disse “uma parece uma árvore, a outra um matinho.” Ele tem um tique de mexer no topete. No começo, os gerentes da SKT ficaram preocupados com a timidez de Faker. Um deles até pensou que ele poderia ter um problema de fala, preocupado se ele com seu comportamento fechado seria algo bom para o ambiente da equipe. Mas quando ele fala de LoL, ele fica claramente mais tranquilo. Perguntei como ele consegue jogar com tantos campeões – enquanto a maioria dos gamers dominam poucos personagens, ele joga com mais de 30 em nível profissional – e seus olhos se ascenderam:

“Minha força está em entender o fluxo do jogo, quando lutar e quando recuar. Independente do
campeão que eu jogue, a força está lá.”

Ele conta detalhes de suas viagens em carreira profissional e sorri quando se lembra de uma viagem para Los Angeles, quando visitou a atração dos Transformers. E que quando abre suas sessões de treino para fãs, ele coloca para tocar ao fundo músicas de sua artista preferida, Taylor Swift. Faker reconhece que a fama o deixa perplexo. Fãs de LoL coreanos acompanham seus passos, uma postagem no Reddit especulando um suposto caso dele com uma apresentadora de TV coreana rendeu centenas de comentários. Ele diz que normalmente usa um boné quando passeia ao redor do centro de treinamento da SKT para evitar um pouco ser reconhecido por seus admiradores adolescentes. Ele não gosta de falar sobre a oferta de ir para a China, ele sente seu tique de novo e diz: “Muitos jogadores acham difícil. Acho que viajar para fora é uma boa experiência, mas eu quer ficar na Coreia e ganhar o mundial novamente.” Quando pergunto se ele acredita ser o melhor jogador do mundo, ele responde: “Ainda não, tem muita gente no meu nível no momento. Mas acho que se eu treinar duro, eu serei incontestavelmente o melhor novamente.

Em uma conversa com MonteCristo e DoA (dois analistas de LoL famosos), perguntei por que Faker é considerado o melhor jogador do mundo. MonteCristo me devolveu uma pergunta: “Quais os critérios de um atleta profissional? O que faz o LeBron James ser o que é?” Pensei em critérios como conduta de atleta, habilidade e tomadas de decisão. Ele me explicou que ambos têm as mesmas habilidades, mas de outro ponto de vista: a conduta de atleta do LoL são as mecânicas de jogo: agilidade com mouse e teclado e afins. Na qual é possível ver em vídeo que Faker é imbatível. Outro diferencial dele é a grande quantidade de campeões que ele domina: Todo jogador competitivo tem medo constante do patch seguinte nerfar seu campeão favorito. Isso já afundou alguns jogadores.

Quando perguntando sobre o que quer fazer no futuro, levando em conta que a carreira de jogadores profissionais tende a ser curta, ele fala que gostaria de estudar, porque muitos jogadores profissionais começam suas carreiras em idade escolar e abandonam os estudos. Segundo ele, pretende ser um cientista um dia.

Fonte: ESPN

Sobre Max Pita

Jogador de LoL de level Diamante Canal de LoL: http://youtube.com/legendsbrcom Canal de Jogos: http://youtube.com/maxpita Twitter: https://twitter.com/max_pita Facebook: https://www.facebook.com/mitopita/

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