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Corki e outras considerações sobre os Mundiais

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Recentemente, em meu site pessoal, falei de maneira breve sobre a noção cíclica de buffs e nerfs que acontecem quando se aproximam as maiores competições internacionais. Para quem acompanha o cenário competitivo há muito tempo, é bem óbvio como os paradigmas de poder mesclam e mudam com a aproximação do Mundial e, nos anos anteriores, do torneio All-Star – posteriormente conhecido como Mid Season Invitational. Os exemplos mais claros que temos disto são Corki e Orianna, ainda que esta última não tenha recebido grandes alterações há muito.

Não imagino que tenha alguma razão particular ou peculiar para isto, apenas que seja a ordem natural das coisas. Uma vez que, ao correr da temporada, vemos no mínimo o progredir de dois metas distintos, costumeiramente tanks sendo usados como força predominante dos times durante a primeira parte da temporada, em virtude de mudanças paralelas – ou seja, sem buffs e nerfs diretos a campeões – é natural que a o mesmo ocorra aproximando-se dos grandes campeonatos internacionais.

A maior diferença, porém, é que enquanto as mudanças durante a temporada tendem a focar um aspecto específico de uma partida, como alterações nos itens de selva ou redução de tempo de recarga de certos feitiços [Teleporte, em específico], a maneira com que a Riot tende a “afinar” campeões próximo ao mundial tende a ser um pouco míope. Isto quer dizer que, quase invariavelmente, campeões que recebem buffs – diretos ou indiretos – nas atualizações próximas do Mundial tendem a simplesmente dominar o campeonato.

Historicamente, isto ocorreu repetidas vezes com usuários de Força da Trindade – Corki e Jax, principalmente – e magos de controle, como Orianna, em virtude da alteração da dinâmica do jogo que tais campeões inerentemente trazem à composição de um time. Isto quer dizer que, automaticamente, tais campeões são escolhas melhores? Não. Mas, não é coincidência que na maioria dos mundiais (3/4, para ser mais específico) Corki se torna uma escolha contestada.

Agora que reclamei por quatro parágrafos, vou dizer porque isto não é algo ruim – muito embora eu proteste pela maior diversidade de escolhas viáveis em campeonatos na função de atirador – e porque mais campeões deveriam receber este tratamento.

Primeiramente, a maneira com que Corki escala não é linear. Isto quer dizer que o seu poder dentro de uma partida não tem um crescimento retilíneo, mas sim uma espécie de parábola. Ele começa forte, atingindo seu ápice durante o mid game, e passa a decair. Curvas de poder bem delineadas são essenciais para a saúde de um jogo competitivo, não só obrigando oponentes e aliados a compreenderem os possíveis abusos mas também oferecendo limites e counterplays em torno destas possibilidades. No caso do Corki, é bem claro que o seu pico de poder ocorre com um único item, a Força da Trindade, e daí para frente, até o late game, ele terá dificuldades em manter-se equiparado em dano com outros atiradores. Isto quer dizer que ele se torna inutil no late game? Não, mas sua capacidade de contribuir de maneira bruta para uma team fight é menor, razão esta de contribuir de outras maneiras – reposicionamento, poke, diminuição de armadura.

Ainda temos uma atualização para o Mundial e, sinceramente, espero que mais campeões recebam o tratamento que Corki vem recebendo todos estes anos.

Sobre Ivory

Editor e contribuinte primário do #vempralane - Bacharel em Direito

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