quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Mundial: Campeões contestados, pt. II

SemLag
Postado originalmente em #vempralane

Como promessa (geralmente) é dívida, eis a segunda parte da nossa trilogia sobre campeões contestados para o Campeonato Mundial. Como dito no outro artigo, não abordarei situações específicas de um ou outro time, nem campeões que já encontraram o seu nicho no meta ou foram estabelecidos como power picks concretos. Também não irei abordar pilares composicionais, como Lulu, haja visto que estes mereceriam um artigo apenas para si. Sem mais delongas, vamos falar da nossa segunda escolha para campeões contestados: Twisted Fate.

Para mais sobre power picks

2. Twisted Fate, o Mestre das Cartas

2.2 Breve histórico

Não precisamos viajar no tempo para encontrar um período ou um torneio específico em que Twisted Fate tenha tido prioridade na fase de picks e bans. Praticamente em todas as temporadas, desde a sua versão incrivelmente quebrada do beta, times, especialmente asiáticos, demonstraram alguma predileção pelo campeão em determinados match ups. De fato, foi um asiático, Missaya, considerado como melhor Twisted Fate e quase singularmente responsável por inovar a maneira de se usar o ult.

Diferente dos outros dois campeões em nossa série de artigos, Twisted Fate não sofreu maiores mudanças nas últimas atualizações. Diferente da Elise, não recebeu buffs significativos e, diferente de Ashe, não teve seu kit reorganizado e melhorado. Afinal, então, porquê diabos ele voltou a se tornar uma escolha não só viável, mas também desejável?

2.3 Ressurgência

São diversos os fatores que contribuíram para o retorno de Twisted Fate ao status de pick contestado, mas os principais são os nerfs repetidos em campeões prevalentes em mid lane, como Azir, e o estado ainda decrépito da maioria dos assassinos, com exceção de Diana, ainda que tal função seja secundária ao seu desempenho natural dentro de uma partida. Não apenas isto, criou-se um ambiente onde a valorização da mobilidade global cresceu a cada atualização, atingindo o seu ápice na atualização anterior aos Juggernauts.

Assim, o meta de mid sofreu algumas alterações: não só era possível escolher um Feitiço não-combatente para sobreviver à lane, como era encorajado. Diana e Teleporte, Twisted Fate e suas inúmeras combinações entre Fantasma, Barreira, Teleporte e Curar, encontraram o seu perfeito habitat predileto. É extremamente difícil pressionar ao mapa de uma maneira superior que um campeão com Teleporte ou ultimate global.

Cada vez que Twisted Fate empurrar a lane e desaparecer, seus companheiros de time precisam ter receio de um possível gank. Ainda que o time inimigo tenha sentinelas posicionadas ofensivamente, é fácil encontrar um local desprotegido, ainda mais com a tendência competitiva de lentes detectoras precoces (em relação às partidas de solo queue) e sentinelas detectoras ao redor de mid lane. O combate pela visão inicial de uma partida torna-se ainda mais importante, obrigando o time inimigo a investir em tempo e ouro para manter-se à par das possibilidades de trajetos do Twisted Fate.

Neste mesmo sentido, creio que eu deva oferecer mais um pouco de informações: os times que usaram de campeões com Teleporte em mid de maneira ofensiva nas etapas iniciais de uma partida, ganharam mais jogos que aqueles que usaram-no de maneira defensiva. Isto pode parecer peculiar, mas não o é inteiramente. Em geral, mid laners com Teleporte envolveram-se, de alguma forma, e contribuíram para o primeiro abate de uma partida quase duas vezes mais que mid laners sem Teleporte. Também reuniram mais assistências e mais mortes que suas contrapartes, por algumas razões óbvias: Teleporte encoraja skirmishes (batalhas pequenas entre alguns membros apenas) e, invariavelmente, o time que tiver maior mobilidade e capacidade de chegar primeiro à tais skirmishes acaba por, na maioria das vezes, vencer e acumular maiores assistências e participação em abates. Não obstante, há um equilíbrio entre risco e recompensa: já que mid laners com Teleporte contribuem mais para skirmishes, invariavelmente correm maior risco de morrer e, também, acabam ficando atrás em CS – mas na frente em ouro, em razão de assistências e abates.

Em média, um mid laner com Teleporte aos 10 minutos tem 58 de ouro a mais que seu oponente, mas quase três CS a menos. Mid laners com Teleporte também venceram 4% de jogos a mais que mid laners sem Teleporte, quando o seu time estava à frente por 2000 ou mais de ouro aos 15 minutos de uma partida. Entretanto, perderam consideravelmente mais jogos quando em  termos iguais de ouro ou atrás do time inimigo.

Para mais sobre Teleporte em mid lane em geral

Agora, voltando à Twisted Fate em específico, a sua versatilidade de escolha de feitiços somada à ameaça pelo mapa o torna um campeão formidável para a escolha de Teleporte, bem como um alvo difícil de se desestabilizar sem intervenção. Outro aspecto favorável é que pode-se abusar de tal presença global extremamente cedo, especialmente se escolher por Teleporte, ao rushar uma Bota da Lucidez com Guarda Territorial. De fato, esta combinação foi abusada diversas vezes em solo queue por diversos jogadores, como Apdo e KT Nagne, para facilmente desestabilizar o padrão de uma partida e, mais recentemente no cenário competitivo ocidental, pelo mid da CLG, Pobelter.

Com razoável capacidade de sobrevivência em lane, inerente do longo alcance de seu kit e da confiabilidade de seu crowd control, a partida transforma-se em um jogo de paciência. Enquanto que outros campeões em mid podem, e muitas vezes conseguem, carregar uma partida sozinhos, Twisted Fate é quase completamente dependente de seu time e da capacidade de manipular a movimentação do time inimigo, quando opta por Teleporte. Outras escolhas defensivas oferecem-lhe, simultaneamente, mobilidade.

Outras alterações que a mera presença de Twisted Fate traz ao jogo é que, provavelmente, o mid inimigo terá de pegar Purificar. A presença eterna de uma carta amarela à qualquer instante – principalmente no mais elevado nível de jogo onde, teoricamente, os jogadores foram capazes de dominar a mecânica de metrónomo de seu W – é ameaça o suficiente, quando somada a um jungler carnívoro, para alterar as escolhas padrões.

Não apenas isto, temos que considerar os fatores humanos, também. Em um torneio de enorme importância, inúmeros analistas e treinadores, assim como os próprios jogadores, estudam seus inimigos a fim de revelar padrões. Não é segredo algum que certos Atiradores invariavelmente optam por pegar duas ou três ondas de farm durante o mid game em vez de mover-se pelo mapa, ou, ainda, que alguns times têm split pushers que pecam no posicionamento de sentinelas. Twisted Fate é exatamente o campeão necessário para inibidir tais impulsos e tirar o time inimigo de sua zona de conforto e, caso não respeitem a sua presença global, puní-los consideravelmente por tal.

Demais aspectos secundários à elaboração de uma composição que inclua Twisted Fate, como a capacidade de acumular dano físico nas demais lanes – liberando, assim, Fiora e os Juggernauts sem maior preocupação – contribuem para o seu sucesso no cenário competitivo, mas não para a sua prevalência.

2.4 Considerações finais

Creio que as razões expostas aqui sejam mais que suficientes para caracterizar o campeão como uma possível escolha contestada. As alterações em uma partida pela simples presença de Twisted Fate, particularmente em uma composição que possua dois ou três campeões para a linha de frente, cujo dano seja majoritariamente físico, oferecem oportunidades ao seu time de moldar o desenvolvimento de uma partida.

É comum que se aplique certo foco ao top laner inimigo nos primórdios da partida, para: a) remover-lhe o uso do teleporte em congruência com uma possível play no dragão e b) colocar o seu próprio top laner à frente. Com Teleporte, Twisted Fate pode fazer isto em conjunto com o jungler e ainda ter mobilidade o suficiente para criar uma jogada secundária em outra lane ou retornar à sua própria rapidamente, caso haja necessidade.

Por todas as suas qualidades, porém, Twisted Fate ainda é um campeão frágil e algumas escolhas, como Cassiopeia, Fizz, Yasuo, oferecem imensa dificuldade durante a fase de lane. Alternativamente, Viktor, talvez o campeão mais comum no meta atual, é uma excelente escolha para manter o Twisted Fate inimigo embaixo da torre, efetivamente negando sua pressão global. A manipulação de lane, portanto, torna-se essencial para inibir as capacidades inimigas. O confinamento, essencialmente, diminui sua eficácia ainda mais que outros campeões.

Twisted Fate é um dos meus campeões favoritos de assistir e espero, sinceramente, que tenhamos a chance de assistí-lo este Mundial. Como havia dito, a próxima e última parte desta série será sobre Ashe. Até lá, pessoal.

Sobre Max Pita

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