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Mundial: Campeões contestados, pt. III

SemLag

Postado originalmente em #vempralane

Sejam bem-vindos à última parte da nossa trilogia sobre campeões contestados para o Mundial. Embora a escolha de Ashe não seja a mais chamativa, eu a considero a mais interessante. Diferente das demais escolhas apresentadas nesta série, Ashe não é especificamente um campeão extremamente forte ou de alta mobilidade, não oferece presença global como Twisted Fate ou spike no mid game.

Então, porque diabos Ashe?

3. Ashe, a Arqueira de Gelo

3.2 Breve histórico

Há muito, Ashe tem sido considerada o padrão de ouro de atiradores. Desde o início de League of Legends, ela e Caitlyn atuam como arquétipos idealizados da fantasia que um atirador, idealmente, representa: focar seus inimigos à distância, dançando pelo campo de batalha, sempre no limite do alcance. Isto não significa que eles não tenham seus problemas, ou que este arquétipo não tenha evoluído, e muito, com o passar dos anos, mas ainda assim Ashe manteve-se relevante através das eras, oferecendo uma fase de lane forte e qualidades enaltecedoras à uma composição de controle.

Recentemente, também, sofreu uma grande alteração em seu kit e, por algumas breves semanas, foi considerada uma escolha pick/ban, tanto para o cenário competitivo quanto para solo queue, ainda que com menor prioridade que outros campeões. Após uma ligeira alteração em seu Q – desativando a funcionalidade da rajada de flechas contra torres e inibidores – sua popularidade competitiva despencou, até recentemente.

3.3 Ressurgência

Diferente dos demais artigos nesta série, nós vamos começar pela matemática, para então apresentar os motivos.

Dentre as maiores regiões, apenas a Europa teve uma final e torneio regional sem a presença de Ashe. Nas demais regiões, Ashe foi escolhida ou banida em trinta e seis partidas, de um total de setenta e cinco. Para nós que somos porcos com números e fizemos ou fazemos cursos de humanas, isto significa que ela foi escolhida em quarenta e oito porcento das partidas, inclusive chegando a ser escolhida sete vezes seguidas e duas vezes em uma única partida [regra de escolha cega da LCK]. Como vocês podem ver na tabela abaixo, a Coréia foi a região que demonstrou a maior predileção pela Ashe, a escolhendo em sessenta e cinco porcento das partidas de Playoffs e Regionais.

ashe

Agora, é claro que devemos demonstrar certo ceticismo em relação aos números. Afinal, setenta e cinco partidas não é uma quantia grande o suficiente para gerar uma base estatística robusta. Entretanto, é o suficiente para revelar tendências e, para os propósitos deste artigo, que lida exclusivamente em tendências e possibilidades de determinado campeão vir a se tornar uma escolha contestada, tais números bastam. Passemos, pois, à análise propriamente dita.

Alguns fatores me surpreendem, como a quantia que Ashe foi escolhida durante os Regionais da China – uma região historicamente tida por contar os melhores atiradores e depender majoritariamente de seu dano para obter sucesso – e, também, durante os Regionais da Norte-América. Escolher um campeão sete vezes seguidas, sem repetir a composição e, aparentemente, sem demonstrar favorecimento para algum outro campeão sinérgico, é algo curioso. Com exceção dos três primeiros jogos entre Gravity e Cloud9, onde a composição repetiu-se com pequenos ajustes, em nenhuma outra partida Ashe desempenhou o mesmo papel funcional e, como um passe de mágica, foi esquecida pelo restante dos jogos.

Entretanto, talvez o mais interessante destes números não sejam as anomalias, como as escolhas sucessivas anteriormente mencionadas, mas as constantes. A Coréia, tanto durante a LCK quanto nos Regionais, não teve um único jogo onde uma torre foi destruída antes dos cinco minutos em uma situação de inversão de lanes. Não apenas isto, a Coréia é também a região mais focada em top laners, preferindo um set up rotineiro de lanes, possibilitando roaming de suportes e junglers, sem prejudicar o top laner.

Ora, que situação peculiar, não? Estamos em meio a uma transição de meta que favorece justamente essa predileção por top laners fortes, bem como as escolhas de campeões para top lane em si complementam utilidade nos demais papéis. É dizer, enquanto tivermos um meta onde carry top é possível – não, encorajado -, os demais papéis podem abrir mão de um pouco do poderio disponível em seu arsenal em virtude de utilidade. Magos de controle, por exemplo, e suportes capazes de exercer papéis “coringa”, estão em alta – Lulu, em específico, é uma escolha contestada, justamente por suprir as maiores falhas dos Juggernauts: imobilidade.

É claro que não estou tratando de magos de controle e suportes neste artigo, mas uma mente analítica poderosa não é pré-requisito para chegar aos paralelos que tracei. Ashe traz em seu kit as mesmas capacidades que muitos desses magos de controle, bem como uma das melhores ferramentas para se iniciar uma luta, ao mesmo tempo em que fornece oportunidades dos carry top e Juggernauts aproximarem-se de seu tão procurado alvo.

Não apenas isto, Ashe também é excelente em situações de sítio: seu longo alcance e esteróide possibilitam o constante atrito em frente às torres, com razoável segurança a depender da composição inimiga. Com algumas escolhas “diferentes”, ao menos sob a ótica de solo queue generalizado, é possível arquitetar a composição e os itens de modo a realçar as oportunidades de split push de um carry top. Um exemplo disto é a tendência de se fazer A Sangrenta como primeiro item para Ashe, o que a permite brilhar nas lutas de constante agressão durante o mid game e, ao mesmo tempo, permanecer em sítio com o restante do seu time, ainda que venha a sofrer dano considerável.

3.4 Considerações finais

Mais uma vez o nome do jogo é top lane e eu seria hipócrita se não terminasse a nossa série sobre campeões contestados sem reconhecer a importância que algumas mudanças no meta causam por todos os níveis de jogo, em especial no cenário competitivo. É como uma pequena pedra jogada em um lago e suas ondulações: cedo ou tarde, as ações de um lado do mapa afetam ao outro, e a possível predileção por um atirador de utilidade como Ashe é prova viva deste conceito.

Espero que tenham gostado da nossa série de aquecimento para o Mundial e, por favor, não escolham Ashe contra hard engage 😛

Sobre Max Pita

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