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Novas criaturas são descobertas no norte de Ionia

A Riot lançou recentemente no Universe, o diário de Eduard Santangelo. Ele conta sobre suas descobertas no norte de Ionia, onde há criaturas que mais parecem a junção de outras. Nele, a campeã Ahri também é citada. Confira as anotações:


Ouvi falar pela primeira vez das criaturas quiméricas conhecidas como vastaya ao aportar nas terras férteis de Ionia. Ali, eu esperava encontrar uma cura para uma enfermidade unicamente piltovense conhecida como desânimo– uma mera perturbação na pacata rotina da reluzente e justa Cidade do Progresso, onde ganho a vida como autor de certo renome.

No seio mágico e tranquilo de Ionia – um seio muitas vezes inexplorado por cartógrafos não nascidos naquelas vastas terras – , eu me aventurei para encontrar algo completamente fora do âmbito dos meus conhecimentos. Algo surpreendente, mágico, belo e aterrorizante.

Quando descobri os vastayeses, eu soube que tinha encontrado o que procurava.

Meu primeiro encontro com uma criatura vastayesa foi na calada da noite, enquanto ela vasculhava meu acampamento em busca de algo para enfiar goela abaixo. Ela quase fugiu com medo ao me acordar, porém, algumas guloseimas e uma suave canção de ninar a mim ensinadas por minha mãe (eu sou um soprano e, portanto, muito bem qualificado para entreter as pessoas com canções relaxantes) a convenceram de ficar mais um pouco no acampamento.

Embora andasse sobre duas pernas como os humanos, suas características eram uma fantástica combinação de várias outras criaturas que eu já tinha visto em livros ou em minhas inúmeras viagens: ela tinha bigodes longos e o nariz pontudo como o de um gato, escamas de cobra por todo o corpo e a força física de uma fera salina sentinense (fato que constatei quando, ao terminar suas guloseimas, a criatura me ergueu sobre sua cabeça com o mesmo esforço que eu faria para coçar o nariz e me manteve lá em cima até ter certeza de que eu não escondia mais nenhum doce no meu saco de dormir).

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Pouco depois, a criatura sumiu na escuridão e eu sabia o que precisava fazer: Resolvi estudar mais sobre esses vastaya (como os nativos os chamam).

A seguir estão minhas anotações sobre os diversos tipos de vastaya que encontrei ao longo de minhas viagens pelo misterioso continente.

O QUE SÃO OS VASTAYA?

Se eu fosse especular sobre a origem desses seres – e sendo eu um cavalheiro estudado nas ciências físicas, me considero mais do que apto para tal – , eu diria que os vastaya não são uma espécie única, mas uma classificação taxonômica que se assemelha a uma ordem mais ampla ou a um filo.

Resumindo, embora muitos vastayas sejam parecidos entre si (como eu descobri depois de seguir o garoto que era uma mistura de gato, cobra e macaco até sua aldeia, e de ser enxotado de lá pelos seus irmãos identicamente híbridos. Aparentemente, eles me confundiram com algum tipo de espião maléfico ou predador selvagem, o que explica por que me seguiram de volta ao meu acampamento e deram um fim em todas as minhas provisões alimentícias), as várias tribos e agrupamentos familiares geralmente têm um aspecto físico e agem de formas totalmente distintas.

Dias após meu encontro com os vastaya, eu – seguindo o Rio Murmurante (batizado assim, por mim, por ser irritantemente barulhento e eu, como a maioria das pessoas requintadas, tenho uma quedinha pela ironia) próximo ao vilarejo e sabendo que mais deles seriam atraídos pela fonte de água – descobri uma tribo completamente diferente. Esses vastaya tinham rostos peludos e molengas como o de lontras, mas a parte inferior se assemelhava a focas.

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Depois de tentar, sem sucesso, lhes dar meus óculos como oferenda de paz (muitas das criaturas carregavam sacolas repletas de bugigangas e quinquilharias – talvez eles fossem uma sociedade mercantil), eu iniciei uma dança interpretativa improvisada: “Eu venho em paz e não machucarei vocês” (este bailado em particular força muito o joelho e minhas patelas são absolutamente perfeitas). Minha performance inspirou meus acompanhantes a me acolher e a me servir um jantar morninho que eu só posso descrever como uma espécie de quase-peixe beirando o cru.

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Embora não tenham proferido uma só palavra enquanto eu fazia meus rebolados ritualísticos, mais tarde eles me revelaram, depois de me pedirem educadamente para lhes passar uma xícara com um pó amarelado que cheirava a sal e fogo, que falavam minha língua fluentemente. Seus vários dialetos e coloquialismos me eram desconhecidos, mas eu conseguia, com muito pouco esforço, entender exatamente o que eles diziam. Tão faminto por conhecimento quanto estive anteriormente por comida, comecei apressadamente a questioná-los sobre a história de sua espécie.

Aprendi que as origens dos vastayeses teve início há muito, muito tempo, em um cantinho isolado de Ionia, para onde um grupo de humanos fugiu para escapar dos horrores da Grande Guerra do Vazio (um assunto sobre o qual já escrevi inúmeros volumes, todos os quais podem ser encontrados nas melhores livrarias piltovenses por preços mais que razoáveis). Esses refugiados começaram a conviver com uma tribo de criaturas metamorfas inteligentes que tinham grande sintonia com a magia natural de Ionia. As uniões entre esses dois grupos resultou nas criaturas que um dia eu conheceria como os vastaya. Ao longo do tempo, os descendentes dessas uniões ocuparam diversas regiões e consequentemente assumiram diferentes formas, dos humanoides alados de Ionia ou esporadicamente desmembrados rastejantes-das-areias de Shurima, ao peixe-boi escamoso de Freljord que carrega um eterno desconforto em sua feição.

Meu desejo era ficar e perguntar mais sobre essas espécies de lontras, mas uma das minhas perguntas pareceu ofendê-los gravemente e eu fui expulso do vilarejo e das boas graças das criaturas sem mais cerimônias. Minha pergunta, para os que não quiserem cometer o mesmo erro, questionava se a união entre as duas espécies era uma coisa puramente mágica ou mais (digamos) essencialmente física.

MAIS REFLEXÕES SOBRE OS VASTAYESES, ALGUMAS DAS QUAIS PODEM OFENDER OS LEITORES MAIS CONSERVADORES

Destituído de todos os meus mantimentos e da minha calma, mas jamais da minha sede por aventura, eu resolvi seguir em outra direção sem nada para me proteger, além do meu vocabulário espirituoso e multi-silábico. Semanas se passaram e eu seguia me aproveitando da abundância de frutas e verduras que havia em Ionia, colhendo-as diretamente do solo e das árvores com a mesma facilidade com que alguém escolhe um item em uma barraca nos Mercados de Fronteira.

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Eu marcava o tempo apenas pelo nascer e pelo pôr do sol e, com imenso prazer, abandonei todos os incômodos hábitos piltovenses aos quais estava acostumado. A saber, depois de vários dias perambulando por Ionia, uma espécie de fedor se instalou em mim.

Parei, me despi (depois de verificar se estava realmente sozinho – um cavalheiro nunca impõe sua nudez aos outros) e adentrei um lago próximo que cheirava a amoras e grama.

Foi lá que vi a coisa mais admirável que já vira em toda a minha vida e, ainda que eu viva mil anos, nunca verei nada como aquilo novamente.

Bem mais humana do que qualquer vastaya que eu já vira, esta criatura, que banhava-se do lado oposto da margem, tinha orelhas e a cauda de uma raposa, mas estava despida – e agora eu serei vago para não ofender meus leitores mais jovens ou mais sensíveis – e se assemelhava muito, mas muito mesmo, a uma fêmea humana.

Muito.

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Só consegui vê-la de relance enquanto me banhava no lago; boquiaberto, enquanto a corrente banhava meu corpo esguio, eu buscava as palavras certas para cumprimentá-la. Possivelmente, eu me apresentaria como escritor de certo renome, citando alguma das minhas críticas mais efusivas. Ou, eu poderia deleitá-la com uma das inúmeras baladas românticas que compus e memorizei para situações como aquela.

Então ouvi um farfalhar vindo de um arbusto atrás de mim e dei um sobressalto. Virei-me instintivamente em direção ao som, mas como não havia uma ameaça corajosa o suficiente para se fazer ver, dei as costas e percebi que a gloriosa mulher-raposa havia sumido, deixando-me com nada além de perguntas, as primeiras notas de “Ah, Meu Amor, Meu Sonho, Minha Possível Companheira de Cama” ecoando em minha cabeça e um inconfundível olhar de constrangimento em meu rosto.

Acontece que o baderneiro, em quem eu estava determinado a dar uma coça por ter afugentado o amor da minha vida, era um mercador de uma vila distante, especializado na venda de fruta de gengibre – uma suposta iguaria que eu preferi não provar, pois fiquei com medo de não resistir à tentação de esmagar uma bem na fuça sorridente dele.

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Shai – como ele se chamava – repreendeu-me pelo banho no lago, informando-me que tanto o lago, quanto a mulher-raposa que às vezes se banhava ali, seriam prejudiciais à minha saúde. Eu o informei que bisbilhotar homens despidos e enamorados poderia ser bem mais perigoso para ele, mas ele só fez rir.

Depois que eu me vesti, o mercador concordou em me levar de volta para a civilização e responder a algumas das minhas perguntas em troca do meu chapéu (Retrosaria Jeanreaux, cinquenta e três engrenagens no varejo).

Ele me informou que sua família tem conhecimento da estranha mulher há gerações – e que ela, assim como todos os vastaya, vivem bem mais do que os humanos. Dizem que alguns chegam a viver milhares de anos, enquanto outros, dizem os boatos e as lendas, talvez sejam até imortais. Foi Shai quem me disse o nome pelo qual essas criaturas são chamadas em Ionia– até então eu me referia a elas como “fantasmas”, até o mercador zombar da minha nomenclatura. Eu voltei e troquei todos os registros de “fantasma” por “vastaya”, por pura empatia cultural, pois meu vocabulário só se compara a minha humildade.

Caminhamos juntos por vários dias. Às vezes, ele parava para farejar o ar como um cão de caça faminto. Quando eu o pedia para explicar tal comportamento, ele só fazia sorrir e dizer que estava em busca de tesouros. Embora eu achasse essa indiferença um tanto quanto irritante, suas fungadas caninas me trouxeram um pensamento que compartilhei com ele imediatamente: se os vastayeses vinham do cruzamento entre humanos e ancestrais mutantes, o que aconteceria se esse sangue fosse extremamente diluído ao longo da diáspora reprodutiva? E se, digamos, uma pessoa tivesse sangue vastaya correndo nas veias, mas não o suficiente para assumir uma forma quimérica e animalesca? O que aconteceria nesse caso?

Foi então que ele parou de farejar e arregalou os olhos. Ele me olhou, em silêncio, e disse: “Bom, eles seriam capazes de mudar de forma, não seriam?”, e em seguida o desgraçado se transformou em um porco e desenterrou uma trufa do chão.

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Por mais chocado que eu estivesse por estar cara a cara com um metamorfo – o fato de ter conhecido TRÊS variedades diferentes em poucos meses era muita sorte, até mesmo para um acadêmico merecedor como eu. Eu não pude deixar de observar, porém, que o “transfigurado homem-porco” estava bem aquém da “voluptuosa mulher-raposa”.

Seguindo nesse ritmo, a próxima criatura vastayesa que eu encontrasse provavelmente pareceria uma barata ambulante.

UMA CONCLUSÃO, EM QUE ABRO ESPAÇO PARA OUTRAS CRÔNICAS APÓS O INEVITÁVEL CLAMOR PÚBLICO POR ESTA

Nos últimos meses, eu vasculhei Ionia inteira em busca de toda e qualquer informação que eu pudesse obter sobre as diversas espécies de vastaya. Meu objetivo era tentar criar um abrangente guia taxonômico de Runeterra e de sua fauna.

Embora eu tenha acumulado uma imensa quantidade de informações sobre os vastaya, ainda há muito a ser desvendado – suspeito que, ao limitar minha busca à Ionia, eu tenha descoberto apenas uma mera fração de toda a diversidade que compõe essa classificação.

Ainda assim, por enquanto, é hora de seguir em frente – eu somente abri a porta para a pesquisa sobre os vastaya e caberá a outro jornalista fazer novas descobertas. Atualmente, minha atenção está voltada para outras criaturas de Runeterra cujas histórias ainda não foram contadas: Aquelas armas sencientes e repugnantes conhecidas como Darkin. As perversas criaturas do Vazio. As dissimuladas criaturas das lendas, os yordles. Essas histórias não devem ser ignoradas e dou minha palavra de que hei de ser o explorador aventureiro a contá-las. Na verdade, talvez eu seja o único capaz de fazer tal coisa.


Apenas duas semanas após enviar este manuscrito, o Sr. Santangelo embarcou para Ionia em uma viagem não oficial para, em suas próprias palavras, “fazer mais perguntas à mulher-raposa – exclusivamente para fins de colher material para uma segunda edição”.

Várias semanas depois, recebemos uma carta do Sr. Santangelo que dizia:

“Passei pela terrível infelicidade de ser sequestrado. Meus captores – um bando intratável que se autodenomina de Fraternidade Navori – suspeitam que eu seja um espião piltoviano. Naturalmente, sendo um homem do mundo com vários talentos intelectuais, atléticos e românticos, tais quais [editado para manter a concisão], essa acusação muito me insultou.

Mesmo assim, eu os convenci a me manter vivo por mais tempo em troca de um resgate. Se vocês puderem, portanto, mandar alguns minerais preciosos, ou comida, ou armas em quantidade condizente com o que valho para vocês como escritor, eu agradeceria muito. Obviamente, VOCÊS decidem quanto gostariam de gastar para me resgatar, mas imagino que, no mínimo, vocês terão que levar a editora e todos os seus investidores à falência. Ainda assim, obviamente será um valor muito bem pago.”

Depois de recebermos esta nota de resgate, enviamos ao Sr. Santangelo os lucros projetados de seu novo livro: um punhado de trocados e um bolinho estragado.

Desde então, não tivemos mais notícias dele.


Pela descrição do local, provavelmente os novos campeões, que possuem características em comum com as criaturas citadas, são de lá. Entretando, ainda há muita história pela frente e aos poucos divulgaremos novidades assim que disponíveis.

Sobre Renan Caldeira

Redação LegendsBR.

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