Início / Artigos / Mesmo sendo maioria nos jogos, mulheres são vítimas de preconceito

Mesmo sendo maioria nos jogos, mulheres são vítimas de preconceito

SemLag

A pesquisa Game Brasil 2016, divulgada em março, afirma que as mulheres já representam 52,6% do público que joga no país. Apesar de maioria, elas ainda sofrem preconceito e são constantemente alvos de ataques em comunidade de jogos, como por exemplo, em League of Legends (LoL), que é o jogo mais popular no mundo atualmente.

Hanae Oseki, 24 anos, é jogadora de LoL e recentemente foi alvo de discriminação por ser mulher. Com o desejo de entrar para uma equipe profissional, não conseguiu ao esbarrar no preconceito. Sua equipe não pôde participar de testes para tentar uma vaga em um time profissional. De acordo com o dono do time, eles não poderiam participar por ser um grupo misto (composto por homens e mulheres). Só seriam aceitas equipes que fossem compostas apenas por homens. “Chegaram a inventar regras que não existem no competitivo para me barrar, alegando que mulher causava confusão dentro da organização. Eu era a capitã do meu time. Isso não fazia sentido algum”, desabafa a jogadora.

Mesmo não existindo nenhuma proibição no regulamento oficial da empresa responsável pelo jogo, seu time foi impedido de participar do processo seletivo. O problema se mostrou ainda mais complicado quando um dos responsáveis pelo processo seletivo respondeu às críticas, alegando que não mudariam por conta de uma “criança feminista”. “O time não era profissional, até porque eu estou bem longe desse nível. Mas eu estava muito acima do pré-requisito deles e não me aceitaram porque eu era mulher”, complementa Hanae.

Infelizmente, casos de machismo no meio gamer são bastante comuns e não estão restritos apenas a quem joga. A game designer, Gabriela Araújo, conta que já passou por diversas situações difíceis por ser mulher. “Sempre existe o desmerecimento quando falo que trabalho como game designer, porque pra ser precisa ser homem, nunca acham que eu sou capaz de coordenar uma equipe”, desabafa.
​​
Em outras ocasiões, ela afirma que já perguntaram se era namorada ou até mesmo esposa do seu chefe, apenas por estar expondo um jogo da empresa em que trabalha em uma feira de jogos conhecida nacionalmente. Situações como essas não são casos isolados. Quando questionada sobre a questão salarial, a game designer conta que viveu a diferença na pele por ser mulher. “Essa coisa do salário é real mesmo, acontece. Em projetos eu trabalhava três vezes mais e recebia três vezes menos que outras pessoas”, declara.

O doutor em comunicação da Universidade Federal Fluminense Amilcar Bezerra, explica que a indústria gamer ainda é majoritariamente masculina. Para ele, trazer o foco para os menores grupos é uma forma de combater o preconceito . “Acredito que dar visibilidade às minorias dentro das mídias, incluindo games, tanto em termos de personagens como criação de conteúdo acabará formando um espaço onde o ‘diferente’ eventualmente não será mais tão diferente. As crianças que começarem a jogar hoje, em especial os meninos, acabarão mais acostumados com a diversidade e como efeito a participação feminina na comunidade gamer seria mais naturalizada”, finaliza.

Sobre HiimeKira

Oie! Sou jornalista e apaixonada por jogos desde criança. Cosplayer, procuro me expressar por meio da arte. Minhas redes: Instagram - HiimeKira / Facebook: HiimeKiraCosplay

Veja Também

Querem regulamentar os esportes eletrônicos

O que você acha do Projeto de Lei que propõe a regulamentação do e-sports?